Papão
Eu costumava ter medo do escuro.
Tinha medo pois,
Mesmo que eu encarasse um ponto fixo,
Não veria nada além da escuridão.
Tinha medo do que poderia estar escondido nela,
Dos monstros que poderiam estar lá,
De tudo que eles poderiam um dia,
Fazer comigo.
Tinha medo do vazio,
Pois era tão silencioso e agoniante,
Solitário e doloroso.
Mas então, em uma das noites escuras,
Na noite que meus olhos correram aquelas linhas.
Duras e frias palavras.
Aquelas que a tornaram estranho,
Que me fizeram chorar e levar a mão ao peito,
Tentando acalmar a coisa furiosa e quebrada
que batia ali dentro.
Naquele dia não tive medo do escuro,
Mas tive medo,
De tuas palavras, do significado delas,
De minha respiração que quase não existia mais.
Eu não tive medo do escuro pois,
Percebi que o ser humano pode nos ferir,
Bem mais que qualquer monstro,
Assim como você fez.
Não tive medo do vazio porquê,
Em meu coração,
Junto as cicatrizes,
Foi tudo que me restou.
Do fundo da minha alma: Naju
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