Afugentada
Cansada.
Cansada de ter medo. Já estive no meu pior lugar. No escuro e sem esperanças. Já tinha desistido.
Estive lá por quase dois anos e ninguém tentou me ajudar. Não tentaram o suficiente ou minhas expectativas sobre aqueles que amo eram muito altas?. Passei por cada dor, cada lágrima, cada vez em que pensei em desistir, cada vez em que decidi descontar em mim mesma, tudo isso sozinha. Não ganhei abraços, não ganhei ajuda. Não tive palavras de suporte, não tive alguém para me dizer que me entendia.
Passei dias me achando insignificante, passei dias contando quantas vezes alguém tentava falar comigo. Passei três dias vendo quantas vezes minha mãe me dirigia a palavra. Passamos três dias sem nos falar e ninguém sequer percebeu.
E quando finalmente espus tudo, transformaram minha dor em veneno. Disseram que eu feria quando estava ferida. E eu não entendi. Como alguém que diz te amar te pede para que esconda a dor. Te pede para que lide sozinha com algo que somente um profissional poderia lidar.
Mas eu escondi. Escondi tão bem que depois nem me lembrei de para onde tinha ido toda aquela dor. E sinceramente, eu não queria saber. Disse para mim mesma que eu havia conseguido, que tinha estado na guerra sozinha e ainda sim venci. E então me perguntei se tudo foi real, se eu realmente estive na guerra ou se era somente drama, como me disseram. Mas não tenho dúvidas de minha dor quando olho minhas cicatrizes e me lembro, lembro de que somente um abraço teria feito com que elas nunca existissem.
Mas será realmente possível vencer algo depois de ignora-lo? me pergunto se tudo foi mesmo embora ou se só sou ótima em esconde-esconde. As vezes quando acordo, sinto a presença da dor, sei que ela continua tentando me consumir. Digo a mim mesma que ela foi embora, mas no fundo sei muito bem onde essa está. Me lembro que ela está comigo quando sinto aquela raiva, aquela que me faz adicionar irmãs às cicatrizes, aquela que me faz ferir as juntas de meus dedos como se não sentisse a pele se rasgar. Me lembro que a dor está por perto quando meu peito corre tão rápido que me esqueço de como respirar, ou então quando as lágrimas são tão grossas e afiadas que ferem meu rosto.
Tento continuar escondendo, empurrando-a para onde quer que ela fiquei quando não me assombra. Mas no fundo escuto um sussurro que me promete consumir. Tenho medo de voltar a minha pior fase, tenho medo de voltar a afastar as pessoas ou de vê-las se afastar. Tenho medo de voltar a passar o dia na cama chorando sem sequer tentar esconder oque sinto.
E principalmente, tenho medo que a dor me canse tanto que não me reste nada a não ser dormir.
Do fundo da minha alma: Naju
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