Alotropia

ciclos.
Você diz ama-los,
mas é sempre quem os destrói.
Diz o mesmo sobre muito, na verdade,
mas as vezes me pergunto se só diz para não sentir o quanto realmente dói. 

Eu amo você, e sei que obrigatóriamente me ama.
Sei o quanto gosta dessa palavra e o quanto a usa para se referir a tão pouco. 
Me pergunto se em seu coração cabe muito, 
ou se é tão oco que sente a necessidade de preencher com coisas que mais buracos deixarão. 

Me pergunto se sabe o quanto dói.
Você sente muito.
Eu não sinto nada.
Mas ver o quanto se fere ao sentir e
ainda assim se apressa para sentir novamente,
tapando um vazio que voltará ainda maior,
Me faz querer continuar do meu jeito de viver.

Quando vejo a situação se repetir, 
me pergunto se você encherga o padrão,
ou se só é possível ver quando não se olha com os olhos do coração. 

Quero gritar em seu ouvido, 
Quero acabar com seus sentimentos,
Quero te lembrar o quão doloroso isso há de acabar.
Mas seus ouvidos estão tapados e minha voz, uma hora, silenciosa terá de ficar. 

Você vê em meu olhar e me pede que pare,
E isso machuca mais que mil facadas. 
Diz que não vai precisar de mim quando a dor chegar. E não precisa.
Porém meu peito dói quando vejo suas lágrimas a rolar. 
Ou quando não dorme pois contra a dor aínda á de lutar. 

Mal imagina que sua dor é contagiante,
O quanto me sufoco quando estás a se sufocar,
E o quanto quero me matar quando vejo que não sou capaz de suas feridas curar. 

E quando tudo se repete, diz para mim: 
Deve confiar, se deixe levar.
Não sei mais em que acreditar, e isso também dói.

Você disse sobre os ciclos, que odeia vê-los se acabar. 
Mas não se preocupe, em um dos maiores, mais bonitos, mais dolorosos, você presa á de estar.

Doce furacão
Que chega avassalante, preocupante. 
Que destrói do sujo ao puro. 
Por favor, 
Deixe que dessa vez ela sobreviva,
E faça com que dessa vez, a tola seja eu.
E que eu veja novamente a sua original alma viva. 





                       Do fundo da minha alma: Naju



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