odeio segundas-feiras
então acabou, chegou ao fim nosso curto relacionamento de três meses. É estranho pensar que nesse meio tempo sonhei que nunca acabaria, que eu te conhecia mais do podia imaginar, que combinavamos tanto quanto duas pessoas de um quebra cabeça de mil e trezentas peças.
Foram doze meses pra criar coragem e falar com você, cinco pra me aproximar e três pra construir um relacionamento. E então conseguimos arruinar tudo em dois dias.
Na nossa primeira briga, porra. Não sei ainda se isso nos faz idiotas e imaturas, ou precavidas e corajosas por evitar as brigas futuras. Acho que estamos mais pra idiotas mesmo.
Queria ser aquela pessoa madura que diz que acabou, era coisa do destino, ninguém tem culpa e blá, blá. Talvez eu seja assim um dia, mas enquanto não sou quero dizer que a culpa é sua. Nós duas erramos, verdade, mas ao menos tive a coragem de pedir desculpas. Você foi infantil, covarde e egoísta. Você foi contra tudo que tinha me ensinado sobre si durante esses curto tempo que me fez imaginar uma vida ao seu lado.
Queria sonhar em passar ao seu lado no corredor como se não doesse, mas dói. Dói pra cacete. Dói tanto que sinto meu ar prender em minha garganta, meus olhos embaçarem e meu peito se apertar tanto que penso estar tendo um infarto. Dói pensar que te amei e nem tive a oportunidade de te contar. Dói pensar que nunca sequer te beijei como realmente queria. Dói até mesmo olhar para suas fotos e não ver mais a menina doce por quem me apaixonei, e sim a garota que me deu as costas e me deixou chorar como se fosse a protagonista de um circo cruel e doentio.
Sinto tanta raiva de você, das suas amigas, da minha inocência, das minhas amigas. Sinto raiva de continuar até dizendo que tenho raiva, apesar de ser verdade. Em um momento quero jogar em seu rosto minha dor, xingar você com xingamentos inventados por mim e minha alma ferida, e socar meu próprio estômago para matar as borboletas imbecis que ainda giram quando a vejo passar; e em outro momento quero ajoelhar e pedir desculpas, quero dizer que se for da sua vontade eu posso simplesmente me humilhar, quantas vezes for preciso.
Mas não posso fazer nada dessas coisas porque ambas machucam a mim e a voce. Então choro. Choro quando te vejo passar. Choro quando lavo a louça. Choro quando ouço música. Quando vejo um gato que parece um rato. Choro quando penso em suas palavras. Choro quando penso em você. Em Nosso amor. Em tudo que poderíamos ter mas fomos corajosamente idiotas demais para alcançar. Choro de madrugada, enquanto você coloca a foto de outra em sua capinha e faz hambúrgueres. Choro com a mão tapando a boca para não fazer escândalo. Choro enquanto me sinto fraca e cansada. Choro enquanto escrevo esse poema. E choro por não saber como devo termina-lo.
Porque isso não tem final, não tem nenhuma dica de que irá acabar, só acaba. Assim como nós acabamos.
Comentários
Postar um comentário