E passou o aniversário de um amor falecido
Tenho tentado me segurar. Tenho tapado minha boca e beijado outras bocas para não pensar.
É a primeira coisa que consigo escrever desde que tudo aconteceu e desde que o fenômeno "nós" deixou de acontecer. Já fazem algumas semanas, três ou quatro, ainda não consigo decidir se é muito ou pouco tempo. Deve ter sido muito já que parece ter superado, ou talvez tempo não fosse necessário para você.
Tem tantas pessoas ao meu lado, me segurando, tapando meus olhos e ouvidos. Tentando deitar oque devo sentir quando tudo que mais quero é GRITAR.
QUERO GRITAR QUE DOI PRA CACETE, QUE TE ODEIO, QUE AINDA TE AMO.
Quero socar paredes por sentir que a raiva dentro de mim é infinita, e talvez com uma origem desconhecida.
Quando soube que tinha que terminar contigo demorei semanas, semanas pensando em que palavras dizer para tornar a dor menor, para não ferir você. Meu cérebro alucinógeno criou cada situação terrível, e soluções para cada uma delas. Mas quando o momento chegou você fez tudo parecer tão mais fácil do que deveria ser...
Disse que ficaria bem, não se importou quando eu disse que talvez não ficasse para mim. Não me doou suas emoções, nem dor, raiva, medo, tristeza, nada. Nem um pingo de sentimento. Eu realmente não valho isso?
Talvez oque me de raiva seja saber disso. Talvez seja por ter que ver você flertar com outras bem na minha frent, dia pós dia. Ou talvez seja tudo uma invenção da minha mente, para transformar você em um bicho papão, na bruxa do cinto de fadas, para tornar a realidade de que amei mais em alguma traição quando na verdade isso era o óbvio. Só que eu tava cega demais pra ver isso.
Na minha mente você foi terrível. Na minha mente você gritou comigo e me traiu. Mas no fundo sei que me abraçou, e apesar de não ser oque eu esperava ou até desejava, foi compreensiva.
Eu poderia acreditar que só estava tentando tornar as coisas mais fáceis para mim, mas talvez fosse só com você via a situação, como algo simples, como um drama meu, só meu. Mas se eu pensar nisso, se acabar descobrindo a verdade e não for oque eu queria, sei que os gritos e lágrimas vão parar de aparecer só durante as madrugadas, e vão me invadir a todo o momento.
por isso quando grito, é só dentro de minha cabeça, quando choro, é só com meu cobertor como espectador. E quando escrevo, é em uma página que ninguém além de mim mesma lê.
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