Eu sei quem você é.

Você sentou ao meu lado hoje. 
Acho que nem percebeu que eu estava ali, mas sei que eu percebi. 
Senti a ansiedade de crises e crises misturadas, e foi só por saber que estava ali. 

Pensei que te mandar embora da minha vida seria a coisa mais difícil que eu teria que fazer. 
Mas acontece que te arrancar de meu peito é muito pior. 
 
Toda a vez que olho para o lado, para trás, para frente. É você. 
Mas pode até fechar seus olhos, não vai me encontrar. 

Minha boca não fala mais contigo, e seus ouvidos não entendem minha língua. 
Seus olhos são cegos quando estão virados em minha direção. Você não pode mais me ver. 
Eu fui embora de você. Da nossa história. 
Cortei as cordas que te ligavam a mim, mas me enrosque nas que me ligam a você. 

Me disseram que você seguiu em frente. 
Queria gritar: COMO PODE ME FERIR ASSIM? 
Mas sei que não é sobre mim. É sobre você. 
E sei que não posso gritar. Até por que não iria escutar. 

Cada olhar em sua direção é cortante.
As lembranças, sufocantes. 
É como se você estivesse bem ali, disponível pra mim, só me aguardando. Mas eu estivesse presa em um aquário. 
Como se fosse um peixe insignificante que está destinado a morrer em uma semana.

Não consegue ver que estou nua? 
Sem camadas cobrindo minha dor. 
Sem base cobrindo minhas lágrimas. 
Sem relógios cobrindo cicatrizes. 

Não consegue ouvir meu grito de socorro?
Ele implora. 
Implora que volte. 
Implora que vá embora. 

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