No Hope

Tenho corrido demais ultimamente. 
Tenho corrido de tudo, de nada. 
De todos e de ninguém. 
Porque é tudo que sei fazer. 
Ou é tudo que penso poder fazer. 

Corro da dor. 
Fujo da alegria. 
Me escondo do barulho, 
Me abrigo no silêncio. 

Corro do medo, mas não encontro a segurança. 
Corro da chuva, mesmo já tendo o corpo e os fios de cabelo encharcados. 
Corro de abraços, mesmo desejando seus braços. 
Corro de conserto, mesmo estando em estilhaços. 

Não tem abrigo, porque não tenho você. 
Então só continuo correndo, sem saber se um dia vou parar. Sem saber se alguém vai chegar, me olhar nos olhos e dizer: "ei, vá devagar. " 

Gasto a sola dos sapatos, as juntas dos joelhos, e toda a minha energia. 
Até que no fim só sobre a carcaça vazia, e o saber de que corri esse tempo todo sozinha. 

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