árvore roxa
Meus dedos não estão mais calejados.
Eles perderam a agilidade, a precisão e cada calo feio que guardava.
Eles não tem mais habilidade, porque parei de escrever.
Porque não sei mais como escrever.
Já que não consigo falar do amor,
porque é cruel, e lindo e frágil.
Porque perdi cada rastro daquele por quem já senti.
E nao consigo falar das balezas da vida,
não agora que o mundo parece tão frio e cinza.
E Não posso falar da alegria agora que já estou sentada enquanto espero por sua vinda.
E não escrevo sobre a dor também, porque me exaure e fere. E porque de um modo ou de outro me leva de volta ao amor, que me faz despencar novamente em você.
E falar de você e pensar em você é como arrancar tirinha por tirinha de minha alma. É como chorar rios que poderiam acabar com a seca do mundo, ou ter a maior determinação já existente de criar uma máquina que poderia voltar no tempo, mesmo não sabendo nada sobre ciência.
Então passei meses sem escrever, tentando passar da fase de abstinência que é você. Tentando me curar, para que quando eu voltasse a escrever não fosse nada relacionado à sofrer. Eu poderia escrever sobre a árvore roxa que vi hoje, ou sobre a nova-velha carteira que encontrei no fundo do meu armário. Ou sobre A cor marrom ou sobre um escorregador colorido ou sobre meu anel perdido.
Mas o marrom me lembra seus olhos, e o escorregador, seus cabelos; a carteira me lembra de nosso primeiro encontro, e a árvore me lembra que estava com a grande maioria dos galhos vazios, assim como eu.
No entanto eu escrevo. Por esse último motivo, pelo vazio que enche meu coração, alma despedaçada e mente. Eu digito você e eu.
E selo a dor na história. Até oscalos voltarem e os dedos caírem no mesmo buraco que ando despencando.
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