Orphic
Ninguém fala sobre aquele sentimento.
Todo mundo canta sobre a dor, escreve sobre a raiva, atua sobre a alegria. Mas ninguém nunca fala sobre o elefante que é o vazio.
O sentimento que ninguém nomeia,
que não sabemos como explicar.
Todo mundo sabe quando o vazio está ali,
porque dá pra sentir quando você não está sentindo nada.
É como um daqueles silencios insurdecedores.
Que você sente mas não pode gritar por silêncio, porque ele já está ali.
E como ninguém nunca fala sobre isso,
não tem como saber oque fazer para escapar.
Não tem como preencher aquela lacuna na sua memória e alma, ou aquela sensação de "queria mais".
Queria sentir mais. Queria me importar mais. Queria demonstrar mais. Queria rir mais. Queria chorar. Queria gritar. Queria que doesse. Queria fazer doer.
Porque pelo menos, quando a ferida é física, a gente sabe onde tratar. Ou até quando é psicológica, a gente sabe oque contar.
Mas com o vazio...não tem nada pra especificar.
E é isso que eu sinto agora, o nada.
Sou um poço infinito de ecos.
A raiva foi embora, pelo menos na maior parte do tempo. A tristeza me visita. A dor mora comigo, mas se oculta para que eu não a consiga curar.
Sinto muito e ao mesmo tempo não sei oque sinto.
Talvez tenha me esquecido de como sentir.
E não consigo chorar, como se não fosse uma capacidade física da minha natureza.
Não posso gritar.
Não posso ferir.
Não consigo fazer nada além de me deixar afundar nessa tela preta que me tornei. Mais e mais. Sem cor, sem luz, sem saída.
Uma pintura sem um pintor. inexistente.
Oca. Vazia.
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