a única carta que importa
Pai, perdoa-me pois sou pequena e falha.
Pai, o senhor é o único conhecedor de minha alma e mente, conhece a mim melhor do que eu mesma. Tu e só tu sabes oque anda acontecendo. O quão sufocado meu espírito de encontra.
Pai, eu sei assim como Você, que nada na verdade sei. Eu acredito no amor, acima de tudo. Acredito que nenhum tipo de amor é errado ou anormal, desnatural. Acredito que você também acredita nisso. Ama também acredito que é o Maior e mais sábio, e que o que eu penso não faz diferença, acredito que não sou um ser superior a nada nem ninguém, e posso estar tão errada quanto certa.
Pai, tenho te pedido clareza, pedi que se eu estivesse errada, se estivesse amando da forma errada, que você tirasse o sentimento. Mas até esse momento, ainda amo com todo o meu coração.
Senhor, não é por esses pensamentos que te escrevo. Tu sabes que não tenho falado contigo muito, por isso te escrevo. E peço perdão pelos pensamentos que me invadem, pensamentos indignos do teu amor. Pensamentos cansados, de lamento. Tu conheces minha dor, minha exaustão. E sabe que venho pensando em desistir. Não acredito que o suicídio seja um pecado, e que eu vá para o inferno se acomete-lo. Mas acredito que tu me deu a vida, o amor. Acredito que veio ao mundo e sofreu, absurdos que nunca deveria ter sido sujeito a ti. Por mim. E por muitos outros. A minha vida é uma benção. Mas atualmente essa benção parece um fardo. Minhas pernas estão cansadas de carrega-lo.
Sei que está de braços abertos para me ajudar, mas não consigo te alcançar.
Essa carta, essa oração, é meu pedido de socorro. Possivelmente o último.
Papai do céu, você sabe que lá no fundo, onde ninguém além de seus olhos vêem, eu estou tentando. Lutando com garras e dentes.
Por favor, não me abandone no fim.
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