Quinta feira

As 17:32 de uma quinta feira qualquer sinto tanta falta de você que é como se meu coração estivesse sendo segurado e esmagado por alguém com as duas mãos. Sinto como se todos os meus ossos tivessem virado pó, e meu corpo está prestes a desmanchar e se tornar uma gosma sem sustento no chão. Sinto como se fosse impossível soltar qualquer palavra que não seja seu nome, minha língua vai paralisar quando eu abrir a boca, por isso me mantenho em silêncio. Minha mente gira como um carrossel mal assombrado por você. Parece que, por algum motivo, as nuvens escuras de chuva que se formam no céu são culpa sua.
Meu corpo permanece imóvel do assento do ônibus, como se minhas pernas e braços estivessem amarrados e eu estivesse sendo obrigada a assistir um filme, mas a única imagem que passa é a sua. Acho que já posso ter perdido meu ponto, mas não consigo ler a placa da rua porque não sei mais ler nada que não seja nossa própria história. E eu não sei parar de te olhar, de encarar seus olhos castanhos, e sei bem que faz mais de uma semana que eu não os vejo, mesmo assim eles continuam me encarando. Talvez sejam eles os culpados dos meus delírios todos, Ou talvez tenha sido seu sorriso. Talvez entre todas as palavras inconsequentes que nós dissemos, não exista mais espaço para eu e você separadamente. Talvez enfim agora eu tenha chego  à insanidade, por conhecer a verdade e saber que te perder assim é ruim demais. Mas ainda sou sã o suficiente para saber que não existe outra saída, que não tem mais jeito de permanecer um segredo na sua vida. 
De tudo isso me dei conta, Numa quinta feira qualquer, às 23:31.

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