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Quando eu te conheci pela primeira vez sabia exatamente qual o tipo de pessoa você era. Aquele tipo que atrai os outros e os faz girar ao seu entorno sem nem mesmo perceber. Eu sabia que iria sair na sua lábia, desde o momento em que começamos a conversar. A conexão foi instantânea, não foi como qualquer outra pessoa com quem me relacionei. A amizade se formou como se fosse tão natural quanto uma tempestade. Chegou me pegando de surpresa, como um penhasco que aparece do nada enquanto corremos, e eu pulei. Me atirei na força da gravidade que era você, e surpreendentemente você me segurou no ar.
Eu sabia exatamente no que estava me metendo. Sabia que estava jogando no território do amor, mas pensei que soubesse me defender. Talvez se eu desse 100% de mim na amizade, não sobraria nada para a paixão. Estava errada.
Quando me deu conta, faria de tudo por você. Desde emprestar 5 reais, até assaltar um banco para te ajudar. Eu sabia que se me pedisse qualquer coisa eu faria, só para te ver sorrir e dançar, feliz como sempre te enxerguei. E, mais uma vez para minha surpresa, percebi que faria tudo por mim também. Aquela amizade era de mão dupla, sempre juntas, sempre recíprocas. De repente eu confiava minha vida a você, fechei os olhos e deixei que me guiasse, mas de olhos fechados não enxerguei o quão fundo você me levou. E então me dei conta de que tinha chego ao seu coração. Você já estava no meu havia algum tempo, apesar de ser silenciosa e ter demorado para que eu notasse sua presença. Eu sabia que me amava de volta, sempre soube. Mas também te conhecia bem demais pra acreditar que um dia assumiria isso.
Estava tão cegamente apaixonada por você que nem me importava que estivesse por mim também. Até que meu amor se tornou público. A noticia se espalhou e toda a turbulência começou. Você me odiou naquele momento, eu sei. Me odiava porque gostava do meu amor, mas não poderia aceita-lo. Mas se até eu conseguia ver isso, todo o resto poderia também. A fofoca que arruinaria a sua vida começou. Todos já tinham visto que nossa amizade era uma capa falsa para um amor proibido. Mas quando as pessoas vem nuvens pretas no céu, elas já sentem as gotas pesadas da tempestade, mesmo sem nem uma garoa. Você pirou. Não queria aquilo, não queria perder tudo só por mim. Eu entendo, apesar de ferir mais do que qualquer corte profundo.
Eu também não queria que perdesse tudo. Mas eu não queria perder você.
Você não me queria perder. E agora? Então nós começamos colocando as cartas na mesa. Confessando amor e profetizando futuros incertos de felicidade. E depois que descobri tudo oque você sentia, não queria mais ir embora. Por um momento eu quis ser egoísta, quis você só pra mim. Quão egoísta é querer impedir o mundo de sentir o calor do sol, só porque você precisa de um bronzeado? Decidi partir, então voltei porque não sabia viver sem melanina. E então você se foi, e voltou porque sentil falta de ser amada e desejada. E tudo ficou pior porque nos demos conta de que estávamos amarradas. Fadadas a um trágico fim. Um fim onde nem eu nem você somos felizes, onde você perde o brilho porque eu suguei tudo. Onde eu perco o amor próprio porque todo o amor que existia em mim eu entreguei a você.
E mais uma vez eu parti. E ainda não voltei. E a falta de calor me consome.
Nosso amor não choveu, não passou de nuvens cinzas que estão sendo levadas pelo vento, pra que. sabe chover em outro lugar.
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