a primeira semana
você diz que me vê, disse que me entendia e que escutava, mas a verdade é que sempre escutou oque eu queria que escutasse. Agora que não está mais ouvindo, vou te contar a realidade.
No dia em que paramos de nos falar, eu chorei feito uma criança, talvez você me considere uma, naquele dia vi que estava certa.
Eu chorei baixinho em público pra ninguém me escutar, mesmo que todos vissem. Chorei na sala de cinema, num filme triste, mesmo que minhas lágrimas não fossem relacionadas à cena. E quando cheguei em casa, eu dormi com o rosto ainda encharcado.
No segundo dia comecei a contar as horas, fiz todas as matemáticas que eu sabia. Quando se fez 48 horas sem falar com você, eu gritei, me esperminei de raiva, ou de mágoa. Não de você, necessariamente, mas da situação.
No terceiro dia Pensei que fosse acabar ressecada. 72 horas. Nesses três dias, arranhei meus braços tentando fazer com que a dor do meu peito diminuísse.
No quarto dia, estive tão ocupada que quase não tive tempo de sentir saudade. Tudo foi por água abaixo enquanto eu tentava resolver todos os meus outros problemas pra não ter q resolver o nosso. Infelizmente tudo é relacionado a você.
No quinto dia eu tentei tanto não pensar em você. E consegui não chorar o dia todo, consegui não te procurar, não tentei te ligar. Me mantive absorta na minha realidade atual. Mas quando deitei minha cabeça no travesseiro, pensei em chamar seu nome, como algum tipo de esperança irracional de que vice me escutaria, e viria me buscar. Pensei em você. Lembrei de você. Mas não de tudo oque aconteceu. Não pensei nas coisas ruins, pensei num tempo distante mas não tão longe, quando não tínhamos com oque nos preocupar, quando eu não esperava o fim. Pensei nas vezes em que saímos pra almoçar num lugar desconhecido. Quando roda vamos a cidade sem rumo. Quando passávamos horas sentadas num banco ou na calçada de alguma praça do Cocaia, conversando sobre tudo aquilo que nunca contamos à mais ninguém. Lembrei de quando discutiamos, e sempre acabávamos em alguma piada pra quebrar o clima, e como sempre funcionava. Quando éramos felizes numa bolha onde nada nem ninguém poderia interferir. E no quinto dia eu dormi feliz. Porque apesar de não te ter mais pelo menos sei que um dia te conheci 100%, e você me conheceu 100%, e nós amávamos daquela forma. E pensei que talvez a mágoa tivesse ido embora. Mas naquela madrugada sonhei com você.
No sonho, que ainda agora me lembro claramente, você estava comigo, me reencontrava. Ficávamos sentadas paradas pensando em como tudo deu errado, sem precisar falar nada. E então decidimos esquecer. Mas então, até mesmo no sonho, você me deixou. Mudou de idéia pela milésima vez, e me abandonou. Talvez tenha sido mais uma lembrança do que um sonho. Ou talvez seja egoísta da minha parte pensar assim, porque eu pedi pra que você me deixasse. Mas uma parte de mim queria que fosse mais resiliente, que dissesse não, que não fosse embora, que não me bloqueasse em todas as formas que tenho de te alcançar. Queria que não tivesse me tirado completamente da sua vida, pra que eu ainda pudesse voltar pra te buscar, ligar e pedir desculpas, dizer que mudei de ideia. Mas não é mais possível. E ainda no sétimo dia tenho dificuldades de aceitar isso.
De aceitar que faz uma semana que não te digo bom dia, que você não reclama de alguma besteira, que eu não te conto um absurdo. E faz ainda mais tempo que não vejo você, mais que uma semana. talvez quase um mês. E de aceitar que todas as vezes que digo a mim mesma que quero comer no Outback é só porque gosto de lá, quando na verdade é porque eu sei que é um lugar que você frequentava muito. Mas talvez por obra do destino, ou do diabo, nunca esbarro em você. Ou que a razão de eu pedir Uber moto duas vezes ao dia não é pra chegar nos lugares mais rápido, mas sim porque uma parte de mim acredita que entre milhões de motoqueiros, você vai ser a que aceita minha rota.
Tenho dificuldade de aceitar que eu corri e ainda estou correndo atrás do seu fantasma, quando você está firmemente tentando esquecer o meu. Tenho, acima de tudo, saudade. Até hoje, amanhã com certeza, e provavelmente pelo resto da minha vida.
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