Ceelings
estou encarando o teto agora, o vazio branco sujo do meu quarto. Ultimamente é só oque tenho feito. E eu não consigo respirar, como se uma mão, a sua mão, estivesse enroscada no interior da minha garganta, me sufocando. As lágrimas estão começando a descer mais devagar, o pânico passou, se instala a angústia. A dor é tão grande agora que amolece meus membros, paralisa minha boca, meu peito. Meu coração dói, e a imagem que vem na minha mente não é a do emogi de coração partido ao meio, é a do órgão cheio de artérias, sangrando dolorosamente e pulsando devagar, quase como se quisesse parar. Tá doendo muito agora, te ver partir, te segurar pra ficar. Parece que consigo sentir seu choro junto ao meu, sei que não é fácil, mas não tem medo de me perder, tem mais medo de ficar sozinha, do que de não me ter. Pra mim se eu não te tenho, não tenho mais ninguém. As suas palavras ecoam na minha cabeça, a primeira vez na vida que foi realmente sincera, cem por cento sem filtro, quando me disse que não me amava. Meu corpo inteiro gelou, e ainda não voltou a temperatura saudável, permanece igualada à de um cadáver. Eu paralisei, não consigo seguir, minha mente sabe que é necessário, não dá pra ficar parada, mas ainda ficou esperando você vir e me sussurrar que estava mentindo mais uma vez, espera voltar a acreditar que você me ama tanto quanto eu te amo e te adoro. Mas sabe que mesmo se disser isso, vai ser outra mentira, mais uma pra coleção.
Meu coração quer correr, se desprendeu das amarras falsificadas com palavras e fantasias irreais. Ele quer ir longe, sozinho, por mim mesma somente, pela primeira vez. Mas meu corpo não consegue levantar da cama, e a vontade de chorar volta, mesmo estando ressecada, e com enxaqueca, saúde pensar que você não vai mais correr ao meu lado. E além de tudo, não sei em qual direção seguir. É mais fácil encarar o teto do meu quarto.
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