no music

Todo mundo fala sobre quando você termina um relacionamento, e precisa montar dez mil playlists diferentes, cada uma com um estilo musical pra poder distraír a cabeça, ou sentir cada sentimento a flor da pele. Mas e quanto aqueles fins que não tem música de fundo? quero falar sobre aquele momento em que cada música machuca demais pra ser tocada. Toda a vez que coloco os fones de ouvido, sinto meu peito sufocar. Precisa tirar os fones, desligar a música. Porque a mente já está tão barulhenta que música não consegue se encaixar. Cada toque lembra o seu toque, e cada letra lembra as suas palavras, as boas e as ruins, meu cérebro não sabe mais distinguir, ambas machucam igualmente. 
Quando eu era criança, a primeira pessoa que aprendi a julgar, foi o pai da Ariel, a pequena sereia. Porque, que tipo de maluco proibiria a música no oceano? parecia pra mim uma ideia absurda, sem sentido. Pra não lembrar da mãe de Ariel? o certo não seria ele querer manter a memória viva? Mas a ideia de manter o fantasma da sua amada pra ele era pior do que deixar ela ir. Eu sei, é totalmente diferente, a mãe de Ariel morreu, você decidiu partir por conta própria. Mas nao é pra isso que os filmes da Disney existem? pra nos ensinar lições com todas as histórias dramatizadas. 
Agora entendo que a decisão dele não foi absurda, foi só a sua forma de lidar com a dor de sua perda. Foi no silencio que ele conseguiu seguir sua vida. Ainda não consegui seguir a minha, mesmo tudo tão quieto como fica durante a noite. E talvez eu só não esteja escutando músicas pra não chorar, porque é mais fácil manter minha mente limpa como uma tela em branco, do que tentar montar o quebra cabeça que você deixou espalhado. 

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