carta número 2
Passei na sua rua hoje, foi inesperado, tinha te esquecido por alguns minutos, se isso for possível. Eu sabia no fundo que ainda não estava pronta pra estar tão próxima de você, e durante a tarde, pensei que nem sequer fosse lembrar do seu nome. Não reconheci nenhuma rua, nenhuma casa, nada, então talvez não estivéssemos tão próximas. Mas no caminho de volta, passei na frente do mercado Reilar, O mesmo que você me encontrou quando fui te visitar a duas semanas atrás, quando tudo estava tão diferente. Encarei o mercado como se fosse um familiar ou um amigo que eu não via anos, e depois me toquei de onde estava. Tão perto de você. E de onde estaria se continuassemos a descer aquela rua. Olhei as árvores meio mortas da pracinha da frente , e a subida da sua casa, se eu me inclinasse daria pra ver o portão, mas não me inclinei, tive medo de te enchergar, mandar a moto parar e correr até você. Eu sabia que não estava lá, que ainda estava no trabalho, mesmo assim tive vontade de esperar no seu portão até que você chegasse, ou de tacar sua chave que esqueceu comigo, no seu quintal, só pra que soubesse que passei por ali, pra que sentisse minha falta. De alguma forma consegui segurar as lágrimas e engolir aquelas vontades todas, e observei enquanto me afastava.
Eu teria parado, se soubesse que você estaria me esperando, eu teria descido da moto e esperado até que você chegasse em casa. Se soubesse que iria me cumprimentar com um abraço, e não gritos. Se soubesse com certeza que você viria pra casa, e não que dormiria com ela. Mas eu não sabia de nada disso. Porque não sei mais nada sobre você.
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