eterna
Estar com você é como estar em uma infinita dança de valsa.
De maos entrelaçadas, damos os passos cuidadosamente calculados. O momento que nós duas temos a consciência de que aquilo é algo conjunto, não tem como cada uma ir pra um lado e dançar a sós, na valsa é sobre duas pessoas, nem menos nem mais, seu passo depende do meu, e vice-versa. A música segue a dança, os olhos se conectam, a alma, o corpo. E a primeira vista, é lindo. Exceto de que com você essa dança é eterno, oque pode parecer bom aos ouvidos, mas aos olhos nem tanto.
Depois de um tempo prosseguindo aqueles mesmos seis passos repetitivos,parece quase natural, mas o corpo começa a cansar, os pés começam a fazer calos naqueles sapatos minúsculos e pretensiosos, o cômodo começa a girar, é o momento em que eu penso "bom, já tá bom por aqui né" mas como você isso nunca é verdade, sempre tem mais, mesmo quando se acredita que a música já acabou. Consequentemente, devido o cansaço, o corpo esquece os passos, seu pé pisa no meu com força, o meu sente raiva e instintivamente pisa no seu. E assim a dança que parecia linda, se torna somente duas pessoas que machucam uma a outra, que dançam exaustivamente os mesmos ciclos, que querem parar, dar um tempo talvez, trocar de música, ou em caso extremo até de parceiro, mas por alguma razão não conseguem desentrelçar aos mais. Assim se faz nossa trágica valsa eterna.
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